GESTÃO PÚBLICA MUNICIPAL SUSTENTÁVEL É POSSÍVEL?
*Lívio Giosa
Nestes dias de tantas incertezas no Brasil, a humanidade voltou seus olhos para Paris onde se realizou a 21ª Conferência do Clima da ONU – COP21.
É lá que os principais líderes das nações estabeleceram as metas de redução de carbono para os próximos 15 anos e concluiram sobre a responsabilidade de cada um em cumprir com estes parâmetros evitando, assim, um aumento da temperatura da terra.
O nosso país já se pronunciou, definindo 43% de redução até 2030, em relação às emissões de 2005 (ano base).
Esta proposta reducionista se relaciona principalmente à substituição da matriz energética, com foco em energia renovável, na queda substancial e fim do desmatamento ilegal e no compromisso de plantio de 12 milhões de hectares, tentando assim aumentar o nosso estoque de Co2, compensando parcialmente o volume de árvores devastadas.
No entanto, é impossível estabelecer estas metas sem envolver a sociedade civil, o conjunto dos dirigentes públicos, as empresas privadas, as Organizações Não Governamentais, os legisladores e todos aqueles que possam verdadeiramente influenciar no atingimento destes resultados.
O modelo geo-político brasileiro aponta, nestas condições, para uma direção principal: os municípios.
A constatação é clara: o Estado brasileiro está dividido em 5.570 municípios e, o conjunto da população brasileira (87,4%), está alocada nas áreas urbanas.
Portanto, não há dúvidas: caberá aos municípios um papel fundamental para aplicar, no seu território, iniciativas que minimizem as emissões, que recuperem ambientalmente as suas áreas degradadas e que façam cumprir as metas nacionais de redução.
Assim sendo, cabe avaliar claramente se os dirigentes públicos municipais:
• estão conscientes do seu papel?
• reconhecem a questão da sustentabilidade como estratégica na sua gestão?
• estão preparados para conduzir, influenciar e sensibilizar a sociedade que representam para fazerem sua parte no processo?
O caminho para este entendimento é longo mas necessário!
O Programa “Município Sustentável” é o modelo que permite construir uma plataforma referencial de transformação baseada em:
• ações internas de sustentabilidade, envolvendo o patrimônio público municipal, e,
• ações externas, envolvendo a sociedade local.
Esta estratégia é simbólica: a Prefeitura demonstra que é possível fazer a sua parte, vira vitrine e exemplo para a população. Passa, então, a garantir a credibilidade da transformação.
Aí, incorporar os níveis da sociedade e transformar estas iniciativas em práticas coletivas, é o passo principal a seguir.
As ações internas da Prefeitura estão baseadas no cumprimento de algumas etapas tais como:
• Conscientização dos servidores e capacitação dos multiplicadores, os “agentes municipais sustentáveis”;
• Definição dos pilares de atuação:
Construir estas práticas demanda tempo e visão pública do Prefeito Municipal, a quem se exige ser o grande condutor do processo, baseada na sua liderança e influência no conjunto da sociedade.
As ações externas visam demonstrar percepções da população para as práticas sustentáveis, tais como:
• Programa de redução de emissão de carbono nos veículos leves e pesados que trafegam na cidade;
• Programa de mobilidade urbana, com viabilização de alternativas de tráfego (ciclo faixa/ciclovias, corredores de ônibus, incentivo ao uso de transporte coletivo);
• Implantação de programa de caronas solidárias;
• Formação de bosques urbanos, com apoio da iniciativa privada;
• Programas coletivos de captação de água de chuva e reuso de água;
• Programa de recuperação de matas ciliares;
• Coleta seletiva e destino final do lixo, substituindo lixões e aterros;
• Amplo programa de destinação final adequada de produtos/materiais identificados na Política Nacional de Resíduos Sólidos;
• Programa permanente de educação ambiental e consumo consciente em todas as escolas da cidade;
• Aplicação de tecnologia de energia solar e de iluminação pública sustentável;
• Lei sobre lavagem de veículos com água de reuso;
• Compensação de emissões de eventos na cidade;
entre outras.
Esta lista é interminável... Isto porque as emissões são intensas e preocupantes.
Só que não temos mais o direito de esperar e, sim, o dever de agir!
Prefeitos, Secretários, Vereadores, a hora é de ação permanente, que vai além dos partidos e conflitos políticos locais.
Envolver a sociedade na sua qualificação pela sustentabilidade e fazê-la participar desta transformação é a missão do líder público.
O que está em jogo é a vida das pessoas e o compromisso da humanidade em responder a este desafio de forma coletiva e rápida!
Porque aí sim, é que os verdadeiros herdeiros do futuro, os filhos e netos destas novas gerações, agradecerão!
* Lívio Giosa – Presidente Executivo da ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil;
Coordenador Geral do Instituto ADVB de Responsabilidade Socioambiental; Presidente do CENAM – Centro Nacional de Modernização Empresarial.
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